sábado, 15 de fevereiro de 2014

Canários da Terra NORDESTINOS - CT Norte

Sobre os CTs nordestinos posso falar com embasamento empírico.
Nasci em 1970 e desde que me entendo por gente, meu pai teve CT dentro de casa, e meu 1o, ganhei dele em 77. Além disso, sempre viajei e conheço quase todo o Nordeste.
Se vc pegar o mapa da região Nordeste, vai facilitar o entendimento do que vou relatar de forma mais visual.
Temos basicamente 2 cts nordestinos. Mas as diferenças entre eles são muito menos marcantes que com os outros dois tipos Brasileiros (sul, goiano) e as outras subespécies (valida, flaveola e pelzelni).
O primeiro tipo nordestino é o Chamado Canario Litorâneo: ocupa a parte costeira do sul do Rio Grande do Norte, até o extremo sul da Bahia. Esses são Cts também muito grandes. Porem, são um pouco mais esverdeados que os do 2o tipo nordestino, e tem também o que chamamos " Ct de costas pretas" a parte superior do corpo um pouco mais escura.
São Cts muito fortes, e podem chegar, acredito eu, às 24,25,26 gramas. Cravo bem vermelho ate o fim da cabeça, cara e pescoço também bem avermelhados.
O 2o tipo é o que chamamos de Flor de Algodão: habita uma região de sertão e seca constante que abrange o extremo norte da Bahia, extremo oeste de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, extremo sul do Ceará, e extremo oeste do Piauí.
Esses Cts são ainda maiores que os do 1o tipo, nao apresentam a cor esverdeada nas costas, presença de pouca melanina escura, e um amarelo chamado gema de ovo.
Como bem disse mestre Aloísio, da década de 70 pra baixo, não existiam peruanos nem venezuelanos no Brasil.
Das décadas de 60,70,80, com a crescente criação pra rinha sendo usada em boa parte do Brasil, quando descobriu-se o CT norte, no eixo sul e sudeste, realmente deve ter sido uma febre. Pois, sendo muito maior que os goianos e sul, garras, patas, unhas e bicos também maiores, eles levavam vantagem nas lutas. Assim houve uma crescente da migração de Cts nordestinos para sudeste, sul e outras regiões do pais.
Alem dessas grande diferenças dos sul e goianos, a diferença no timbre de voz e de algumas notas do dialecto estalo também sempre foram muito nítidas. Um canto mais mavioso, com pequenos picos agudos nos estalos, compassado e um bom andamento.
Abrindo um leque para a questão da mestiçagem, não acredito que tenha havido mestiçagem por interrupção humana de exemplares venezuelanos e peruanos. Sabermos que eles só começaram a vir pra cá no fim da década de 90 e à partir do ano 2000,retirando assim qualquer possibilidade de mestiçagem anterior a isso.
Vou um pouco mais além e afirmo que mesmo hoje, se existe mestiçagem no ambiente selvagem, a % deve ser muito, mas muito pequena.
Sobre diversas especies que leio artigos de biologia, suas subespécies tem uma propensão natural a só copular com exemplares de sua mesma sub-especie. Se não me engano o amigo Ivan mencionou algo parecido em 2008, 2009, não lembro ao certo. Uma outra prova disso, é que apesar de muitos amigos de diversas regiões falarem que a mestiçagem existe na natureza, em todas as fotos e filmagens nítidas, não vejo exemplares mestiços. Mas sim exemplares puros de cada sub-especie. Eles naturalmente procuram seus semelhantes. Em meu entendimento, os únicos mestiços que existem em ambiente natural, podem ser alguns exemplares fugidos de criatórios e que se adaptaram a natureza.
Apesar de alguns discordarem, mas nosso Brasil é muito grande amigos, temos sim, exemplares em ambiente selvagem, com 100% de pureza vivendo tranquilamente.
Mesmo os Nordestinos. Mantenho contato com, pelo menos, mais 3 criadores do Nordeste que vem pesquisando e buscando selecionar e reproduzir exemplares norte puros. Aloisio-SP, Alixandre e Walfredo-CE, Marino-SC eu e Hudson aqui na Bahia.
E em breve teremos boas noticias de nortes 100% nascidos em domesticidade.
É importante ressaltar também, que em cada região do mundo os seres buscam formas de melhor se adaptar as intempéries da natureza. Isso em todas as especies. Tendo nós humanos com exemplo, se pegarmos um Alemão, um Chinês, um Angolano e um Peruano, veremos que cada um teve que se adaptar diferentemente e apresentam diferenças claras no fenótipo e genótipo. A mesma coisa acontece com outras especies dos reinos animal, vegetal, mineral. Dessa forma, ainda pensando geograficamente, nas regiões de fronteiras entre países, estados, continentes, cidades, encontraremos exemplares com características mais similares das duas regiões fronteiriças.
Isso explica por exemplo o tipo de CT Norte do Sertão do nordeste, como na imagem do mapa do Nordeste abaixo.

Circulo Vermelho= Ct flor de algodão
Entorno azul = CT nordestino litorâneo.

Saudações a todos.
Serafim- SSA-BA
Criatório Salvador

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